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ALHO
O alho (Allium sativum) é uma planta herbácea da família Liliaceae, amplamente utilizada na culinária como condimento, sendo também empregado empiricamente no tratamento de diferentes condições. É originária de regiões mediterrâneas e conhecida desde a antigüidade, sendo utilizada pelos egípcios, gregos e romanos. De forma empirica, o alho é utilizado como coadjuvante no tratamento de infecções das vias aéreas superiores e inferiores. Mais recentemente, a mídia vem divulgando o emprego rotineiro de alho como importante fator de proteção para doenças cardiovasculares. Neste contexto, recentes investigações tem apontado inúmeras utilidades terapêuticas, entre as quais o mecanismo anti-hipertensivo e hipolipemiante (diminuindo as taxas de colesterol séricas). No presente artigo, são revistos as principais achados científicos sobre o alho relacionados na literatura médico-farmacêutica, enfocando-se seu uso clínico e aplicações terapêuticas.
ASPECTOS BOTÂNICOS
Planta herbácea, com caule bulboso, subterrâneo e arredondado ou aéreo até 1 metro de altura. Folhas verdes, estreitas, pontiagudas, longas e delgadas. As flores são brancas reunidas em inflorescências do tipo umbela. A raiz é um bulbo constituído por bolbilhos denominados popularmente de "dentes de alho". COLOCAR MAIS COISAS!
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E FARMACOLOGIA
Óleo essencial possui aliína [(+)-S-alil-L-cisteína-sulfóxido], que por ação da alinase, forma a alicina (aliltiossulfinato de alilo). Essa última substância inibe o desenvolvimento de várias bactérias patogênicas (Gram positivas e negativas), in vitro, em diluições até 1:125.000, comportando-se como bacteriostático. Métodos cromatográficos permitem reconhecer substâncias análogas à aliína distintas pelos grupos alquila (S-alilcisteína, S-alilcisteína sulfóxido, S-metilcisteína sulfóxido (Schultz & Mohrmann, 1965; Costa, 1994). O óleo volátil e o extrato aquoso apresentam atividade fungicida. O sulfeto de dialila apresenta atividade antineoplásica e diminui a freqüência de adenocarcinomas. Também foram observadas as atividades anti-diabética; hipotensora, que é acompanhada de um aumento da freqüência cardíaca (indicando que possivelmente se trata de um efeito hipotensor periférico) (Ribeiro et al, 1984) anti-hepatotóxica; atividade redutora das contrações abdominais (seguida de um posterior aumento o que indica uma possível presença de substâncias analgésicas e hiperanalgésicas). Foram observados, em experimentos utilizando a espécie Allium cepa, inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase, o que possivelmente seria a explicação para os efeitos de diminuição do colesterol, aumento do tempo de sangria (devido a diminuição na velocidade de agregação plaquetária) e efeito antiasmático. Os efeitos de substâncias isoladas de Allium sativum sobre os mecanismos do ácido araquidônico e sobre a agregação plaquetária foram descritos por Sharma & Nirmala (1985). O alho contém também isossulfocianato de alilo, heterósidos sulfurados, vitaminas (A, C, B1, B8, P), glicídios, e substâncias de atividade análoga à dos hormônios sexuais (Costa, 1994). Em ateroesclerose induzida experimentalmente foi observado que preparações de alho possuem efeito protetor (Jain, 1975; Adetumbi e Lau, 1983). Vários outros trabalhos têm demonstrado as ações bactericida e antifúngica para Allium sativum (Tansey e Appleton, 1975; Adentubi e Lau, 1983). Mais recentemente, com o advento da terapêutica antioxidante (Medicina Ortomolecular), estudos relacionados à atividade antioxidante de extratos aquosos de Allium sativum têm sido realizados por várias metodologias diferentes (Popov et. al., 1994; Lewin e Popov, 1994) e os resultados obtidos têm sido bastante promissores.
USO CLÍNICO
Até o momento, um dos aspectos mais estudados sobre a farmacologia do alho é sua atividade antimicrobiana, por conta da aliína. Reconheceram-lhe propriedades bacteriostáticas e bactericidas, inclusive para Mycobacterium tuberculosis (Costa, 1994). O extrato aquoso de Allium sativum, é um inibidor da adesão de Candida sp nas células do epitélio bucal. O alho é também utilizado no tratamento de helmintíases intestinais (Ascaris lumbricoides e Enterobius vermicularis), e como coadjuvante na terapêutica da hipertensão arterial, das deslipidemias - principalmente hipercolesterolemia - e do diabetes mellitus (Costa, 1994). Estudo realizado por Sendl et al (1992) relata que a espécie Allium ursinum pode substituir, em termos medicinais , o Allium sativum.
TOXICOLOGIA
O uso excessivo de extrato ou cápsulas de alho pode causar irritação gástrica, algumas vezes com febre, cólicas intestinais, cistite, erupções flictenulares e polaciúria.
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