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DE ONDE VÊM ESSAS GRANDES IDÉIAS?
LANCELOT LAW WHYTE
HÁ POUCAS EXPERIÊNCIAS mais satisfatórias do que a de ter uma boa idéia. A pessoa teve um problema, cansou-se de pensar a respeito, esqueceu um pouco o caso e possivelmente o afastou de suas cogitações. Depois, quando não estava mais pensando naquilo, zás, a solução veio repentinamente, como um presente dos deuses. É claro que nem todas as idéias ocorrem assim, mas é interessante o fato de tantas, e principalmente as mais importantes, ocorrerem dessa forma. Estalam na cabeça, cintilando ao calor da criação. A maneira por que isso acontece é um mistério. A psicologia ainda não compreende nem sequer os processos comuns do pensamento consciente, mas a eclosão de novas idéias, por "um salto do pensamento", segundo a expressão do filósofo John Dewey, desperta especial curiosidade, porque de algum lugar devem ter vindo essas idéias. Para começar, vamos supor que venham do "inconsciente". É uma suposição razoável, pois os psicologistas dizem que o pensamento criador consiste, precisamente, em tornar-se conhecido o que era desconhecido. Cada um de nós já experimentou esse aparecimento súbito de uma idéias feliz, mas é mais fácil examinar o caso nas grandes personalidades criadoras, muitas das quais viveram a experiência de maneira mais intensa. Podem ser encontrados exemplos entre os gênios em qualquer setor, desde o misticismo religioso, a filosofia e a literatura, até à arte e à música e mesmo à matemática, à ciência e às invenções técnicas. Parece que toda a atividade verdadeiramente criadora depende, até certo ponto, dessas mensagens do inconsciente, e quando mais intuitiva for a pessoa, mais agudas e mias sensacionais se tornam as mensagens. Mozart teve inspiração para a melodia do quinteto da Flauta Mágica enquanto jogava uma partida de bilhar. Berlioz surpreendeu-se cantarolando uma frase musical, que durante muito tempo procurara em vão, ao vir à tona, de um mergulho, durante3 um banho no Tibre, e o químico Kekulé viu os átomos dançando no ar, e assim concebeu a sua teoria de agrupamentos atômicos, durante uma viagem no alto de um ônibus de dois andares, em Londres. O fenômeno é tão conhecido que muita gente se tem aproveitado dele para inventar técnicas destinadas a estimular a genialidade esquiva. O prolífico Haydn, autor de 104 sinfonias e centenas de outras composições, diz: "Quando do meu trabalho corre mal, recolho-me a rezar; as idéias me vem imediatamente." Muitos verificaram que andar a pé estimula a ocorrência de idéias. Mozart, por exemplo, afirma: "Passeando de carro ou a pé, depois de uma boa refeição, ou à noite, de carro ou a pé, depois de uma boa refeição, ou à noite quando não posso dormir, os pensamentos me afluem à mente com a maior facilidade." Foi num rasgo de inspiração, durante uma caminhada pelo campo de golfe, que James Wantt descobriu que o desperdício de calor, nas máquinas a vapor, podia ser evitado por meio de condensação do vapor. Muitas pessoas que se dedicam a atividades criadoras andam sempre com um pedacinho de papel, a fim de que nada se perca dos preciosos momentos de revelação. "Dormir sobre o caso" também produz bons resultados. Walter Scott costumava dizer consigo mesmo: "Não faz mal, amanhã às sete horas terei a solução." Pensadores, artistas e cientistas tem descrito o momento da criação. O poeta inglês William Blake declara: "Escrevi o poema... sem premeditação, e mesmo contra a minha
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