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funciona apenas como suporte material das energias. As fases seguintes são cada vez mais trabalhosas e complexas. "Alimentar a matéria-prima com flores", por exemplo, não significa apenas misturar flores a um bolo de terra. Não significa nem mesmo misturar flores criteriosamente selecionadas a um bolo de terra. Significa fornecer a um determinado núcleo energético determinadas energias que, em certas épocas e circunstânciais, estão em determinadas flores. Cada flor tem seu tipo energético preciso e, estando associada pela tradição astrológica a determinado planeta, suas energias estão mais intensas sob determinados trânsitos planetários e, sob outros, mais fracas. Então o alquimista, além de seguir criteriosamente um roteiro complexo quanto às necessidades "alimentares" da matéria-prima, ainda tem de pôr em ação um conhecimento enciclopédico da botânica astrológica da região, para colher as flores certas nas horas e lugares certos, e trabalhar durante meses sob a pressão do relógio que marca a mudança do céu astrológico.
A colheita do orvalho e os símbolos alquímicos
Os antigos alquimistas, segundo se diz, não tinham interesse em revelar seus conhecimentos, e por isso compunham seus livros com uma simbologia arrevesada, impenetrável. Esta versão só explica metade do problema. Barbault mostra-nos com simbolismo alquímico revela tudo a quem deseje aprender de maneira extremamente simples, clara e didática. Os símbolos alquímicos não eram apenas um disfarce, mas uma linguagem altamente desenvolvida para explicar e ensinar determinadas coisas onde o ensino verbal seria muito complexo ou mesmo impossível. Graças à sua rica simbologia, os alquimistas puderam perceber determinados fenômenos dos quais seus contemporâneos, não dispondo de instrumentos para pensá-los, não tiveram nunca a menor suspeita. Chegaram, assim, a desenvolver concepções ultra-arrojadas e espantosamente "atuais", por exemplo, a respeito da natureza dinâmica e energética da matéria. Enquanto a química nascente considerava o ouro, como o ferro ou o estanho, um elemento, querendo com isso significar algo de básico e irredutível, para os alquimistas o ouro, como os outros metais e as substâncias químicas, era apenas a sede material e aparente, disfarce e embalagem, de forças invisíveis de natureza imaterial, puramente "espirituais" ou, digamos assim, energéticas. Na realidade, a fabricação do ouro potável não visa a captar as propriedades energéticas do ouro. Na época, tais idéias pareciam pura maluquice, mas depois da fissão do átomo, quando a natureza íntima da matéria parece cada vez menos "material" e determinística, e cada vez mais puramente energética e criadora, é uma idéia perfeitamente coerente. Neste sentido, Paracelso e Cagliostro são nossos contemporâneos. Se são expressões sintéticas de uma filosofia da natureza, os símbolos são também representações concretas e didáticas de processo de trabalho diretamente deduzidos dessa filosofia. Analisando textos e gravuras alquímicas, Barbault encontrou neles um guia seguro e prático para a fabricação do ouro potável.
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