tempo, anotando semelhanças e diferenças, até chegar a um conceito, ou quadro conceitual, exato de uma das inumeráveis linhas de força do processo total.  (Será preciso esclarecer que ambas as perspectivas se completam organizadamente em todo o processo verdadeiramente criativo de investigação da verdade?).


As etapas do trabalho e o uso da astrologia

É praticamente impossível resumir a narrativa de Barbault, já bastante compacta, mas, de modo geral, a operação teve as seguintes etapas:  escolha do local e dos momentos para a colheita  da matéria-prima; alimentação da matéria-prima com orvalho e flores; destilação, corrupção e incineração; obtenção final do "levedo" que, ao contato com o ouro, "abre" a estrutura energética íntima do metal captando suas propriedades medicinais; testes clínicos e de laboratório.
Com exceção da última, cada uma dessas etapas é minuciosamente demarcada no tempo, segundo milhares de cálculos astrológicos que o alquimista vai fazendo no decorrer da operação.
Em cada etapa, entrava ainda em jogo uma multidão de outros fatores _ estado psicofísico do alquimista, condições externas para o trabalho, flora e clima da região, tudo isto analisado astrologicamente e comparado à configuração astral pessoal do alquimista, que é uma espécie de catalisador.
A escolha do local é determinada quase exclusivamente  por clarividência.  A mulher do alquimista, em estado de transe mediúnico , o conduz até determinado sítio,  onde vê figuras que ele vai interpretando como indicações sobre o modo de colher a matéria-prima.  Mas que matéria-prima é essa, em torno da qual se fez sempre tanto segredo e da qual se dizia apenas, nos tratados, que era abundante em toda parte mas muito difícil de escolher?  Barbault rompe séculos de silêncio e informa:  é apenas terra.  Terra fresca e limpa.
Mas por que será tão difícil colher algo que se encontra bem sob os nossos pés, se é só abaixar e pegar?  Na realidade, a colheita não é um simples trabalho mecânico, mas uma operação complicadíssima.  Para começo de conversa, tem de ser feita sob uma configuração astral que envolve relação entre a Lua, Saturno e Urano, o Sol e a posição solar do mapa do alquimista, e mais a conjunção de dois planetas lentos no zênite, e essa confirmação certamente não ocorre todos os dias:  Barbault esperou um ano.
Além disso, o próprio alquimista, para tomar parte na colheita, tem de estar preparado, tendo-se submetido a uma rigorosa disciplina física e espiritual e uma vida baseada na mais estrita moralidade e equilíbrio.  Ele tem de estar em pleno domínio dos seus sentidos, da sua inteligência e de seus dons perceptivos no momento de...abaixar-se e apanhar um punhado de terra.
É que não é a terra que ele colhe:  são as energias cósmicas que, naquele momento único, se concentraram naquele pedaço de terra.  Qualquer erro, qualquer desequilíbrio, cegarão o alquimista para as bolas luminosas no chão, que indicam  a concentração de energias, ou, o que é pior, farão com que essas energias, uma vez colhidas, lhe escorram por entre os dedos e ele leve para casa  um simples punhado de terra sem valor alquímico.  Ao divulgar, portanto, a matéria-prima do ouro potável, Barbault não a colocou, como se vê, "ao alcance de todos"... Na realidade, a terra colhida