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daram a levantar o dinheiro para medicamentos destinados às crianças da zona não ocupada da França. E então, dois meses depois, de volta ao país - outro obstáculo em meu caminho. Nos Estados Unidos, os religiosos com que eu trabalhara nesse projeto tinham confiado aos meus cuidados um carregamento de vitaminas no valor de 60000 dólares para crianças francesas. Agora, em Bermuda, o primeiro porto de escala na nossa rota em ziguezague para evitar submarinos, minha missão foi bruscamente interrompida. Em seu zelo excessivo, um funcionário da Alfândega recusou permissão para a passagem contínua de suprimentos destinados a um país parcialmente ocupado pelo inimigo. Fiz-lhe ver que as vitaminas são deterioráveis, que aquelas eram para ser distribuídas pelos religiosos neutros - uma garganta de que não cairiam em mãos nazistas. Meu apelo teve como resposta um recalcitrante erguer de ombros. Desolada, assisti aos carregadores desembarcarem os caixotes de madeira. Seguimos viagem, mas eu não conseguia deixar de pensar no problema. Haveria outro caminho para a praça? Desabafei minha frustração com um jornalista a bordo, não cogitando de que ele tomaria a iniciativa de telegrafar. Ao chegarmos a Lisboa, meu contratempo tinha-se transformado em notícia internacional! Ali, o Embaixador da Grã-Bretanha pediu-me todos os detalhes - e em questão de horas os canais estavam desimpedidos para a entrega de minhas preciosas vitaminas. Com o término da Guerra, retornei a Paris e à Maison Schiaparelli. Organizar uma coleção nem sempre era fácil. Certa vez, quando eu estava preparando minha exibição de inverno, minhas costureiras foram chamadas a participar de uma greve. Apenas 13 dias antes da exibição, vi-me sozinha com um alfaiate e a contra-mestra no atelier de costura! Pensei comigo mesma que aquele era o verdadeiro teste para o conselho de meu pai. Qual seria o caminho dessa vez? Desesperei-me, certa de que teríamos que cancelar o acontecimento - ou apresentar a coleção por terminar. E então, fez-se a luz em mim: Por que não apresentar os vestidos inacabados? Alfaiate, contra-mestra, manequins, vendeuses e eu trabalhamos freneticamente. E, exatamente 13 dias depois, na data precisa, realizou-se o desfile Schiaparelli. E que desfile! Alguns casacos não tinham mangas, outros apenas uma. Muitas de nossas criações estavam na fase do molde em tela de algodão, com desenhos e pedaços de tecido presos com alfinetes para mostrar que cores e texturas teriam futuramente. Mas, do ponto de vista de encomendas e publicidade, essa coleção heterodoxa foi um grande e compensador triunfo. As sábias palavras de meu pai mais uma vez me haviam guiado no rumo certo - como continuam a guiar-me todos os anos de minha vida. Sempre há mais de um caminho para chegar à praça.
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