Há mais e melhor a fazer do que ouro

Enquanto esperamos, não poderíamos pelo menos fabricar ouro?  Já dissemos o quanto seria perigoso, impossível mesmo, através das vias da alquimia promovidas à categoria de técnica industrial.  Uma operação de alquimia, por definição, não é reproduzível.  É uma obra de arte e um pintor não pode pintar duas vezes o mesmo quadro.
Mas àqueles que conservam a paixão pelo ouro, posso assinar a técnica descoberta já há 30 anos, por André Helbronner e eu próprio.  Podemos seguramente fabricar ouro, partindo do boro e do tugstênio.  A reação é escrita:  5 B 11 + 74 W 186 = 79 Au 197.
Estou persuadido de que, com a técnica moderna do plasma, esse método poderia ser industrializado e o ouro seria produzido por aproximadamente 60% de seu preço de custo ordinário.  Seriam necessários, evidentemente, meios consideráveis para montar uma indústria, mas um governo poderia tomar  essa iniciativa.  Os Estados Unido, talvez, se seu problema de reservas metálicas se agravasse...
Mas tudo isso não passa de alquimia, e a lição que ela nos dá hoje ainda é de outra natureza.  Há mais e melhor a fazer do que ouro.  Neste mundo cruel, onde a morte ronda a todos, resta ao homem encontrar as fontes da vida.  A atitude da alquimia é sempre um exemplo.  Ela pode ser um guia, tornar-se uma esperança.
Dia virá, talvez, em que os homens chegarão à plena consciência da alquimia, quer dizer, não apenas a uma ciência, mas a uma ética.  Sempre que se pretendeu separar esses dois fatores do progresso humano, a humanidade caminhou com um pé só.  Lindos pulos, às vezes, mas também escorregões!
Sim, um dia, talvez... A humanidade fará sem dúvida a grande mutação predita por Stapledon ou Teilhard de Chardin.  Então a alquimia progredirá a descoberto.  Terá conseguido sua última vitória.