inferiores.  Terás assim toda a glória do mundo,  eis por que toda a obscuridade se afastará de ti: é a força forte de toda a força, pois ela vencerá toda coisa sólida.
Assim o mundo foi criado.
Eis a origem de admiráveis adaptações aqui indiciadas".
Foi assim que fui chamado Hermes Trismegista, possuindo as três partes da filosofia universal.  O que eu disse da operação do Sol está completo".
Este texto é importante, mesmo se à primeira vista parece obscuro, porque expõe a teoria da unidade cósmica, ao mesmo tempo que a "receita" da obra filosofal.  O autor parece saber que as estrelas tiram sua energia da  transmutação dos elementos.  O que chama "operação do Sol" é a própria base da construção da bomba 3 F (fissão-fusão-fissão), que ameaça destruir a humanidade hoje.  Ora, se podemos realmente fabricar tais bombas por meios relativamente simples, é preferível que a "receita" permaneça secreta.  Os alquimistas são desconfiados.  Nossos sábios, enfim, encontram-se com eles nesse ponto.
Mas pode-se dizer que os alquimistas escreviam muito.  É verdade:  há milhares, centenas de milhares de livros de alquimia.  É  assim que se preservam os segredos?
Na minha opinião, os livros de alquimia não contêm qualquer segredo diretamente transmissível.  Formam apenas a "biblioteca do alquimista",  aí uma iniciação seria inutilmente procurada.  Quer dizer, esses livros não são úteis e compreensíveis senão àqueles que já conhecem a alquimia.  Um exemplo esclarece a idéia.
Quem quer que se ocupe atualmente de energia atômica aplicada possui em sua biblioteca o livro fundamental de John R. Lamarsh, Introduction to Nuclear Reactor Theory  (Addison-Wesley Publishing Company Inc.).  Mas o livro básico não pode ser compreendido senão por aqueles que já conhecem a matemática; foi para leitores especializados.  Em nenhum lugar se apresenta como tratado, retomando os princípios básicos.  Somente os atomistas podem tirar proveito.  Assim também, somente os alquimistas podem compreender e utilizar os livros de alquimia.
É a pedra filosofal a alegoria da radioatividade?
Mas então como pode alguém tornar-se alquimista?
Como se chega a esse conhecimento?
Como aí chegaram os alquimistas se não há livros de iniciação?
Aqui só posso emitir minha opinião pessoal.  Não sou um iniciado, não faço parte de qualquer sociedade secreta, mas estudei a alquimia durante perto de 40 anos.  Fiz alguns contatos, procedi a algumas experiências.  No total, que sei?
Como já disse, minha convicção profunda é que, antes de nós, em nosso planeta existia uma civilização muito adiantada, que desapareceu.  Os mapas de Piri Reis são alguns dos últimos vestígios, a alquimia é um outro.  Não temos senão indícios e algum pouco mais para nos guiar.
Essa civilização havia se elevado a nível muito alto e devia certamente possuir conhecimentos, sobre a estrutura da matéria, mais adiantados que os nossos.  Essa é a opinião de Frederick Soddy, Prêmio Nobel, grande físico atômico, que descobriu os isótopos e lhes deu o nome.  Em seu livro O Rádio, Interpretação e Ensinamento da Radioatividade, escreveu:
"É interessante refletir, por exemplo, sobre  a notável lenda da pedra filosofal, uma das crenças mais antigas e universais; por mais longe que acompanhemos seus traços no passado, nunca encontraremos a verdadeira fonte.  Atribui-se à pedra filosofal o poder não de efetuar a transmutação dos metais, mas também  de agir como elixir da vida.  Ora, qualquer que seja a origem dessa associação de idéias aparentemente despida de qualquer sentido, ela se mostra, na realidade, como expressão muito correta e apenas alegórica de nossa atual maneira de ver.  Não é necessário grande esforço de imaginação para se chegar a ver na energia a própria vida do universo físico:  e  hoje sabemos que é graças à transmutação que surgiram as primeiras  fontes da vida física do universo.