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livros e manuscritos sobre a alquimia que temos no Ocidente, os comunistas estão examinando com ansiedade esses velhos textos que enchem as bibliotecas de Praga. Aqui, entre os edifícios consumidos pelo tempo, persiste a ciência dos alquimistas. Praga, cujos telhados endentam o céu como notas de uma pauta de música, notas que talvez encerrem a fórmula de alguma modulação harmônica cujas vibrações são capazes de transformar a matéria _ pois os alquimistas não reduziam a código os seus segredos apenas em manuscritos, mas também em arquitetura e em formas.
Que segredos descobriram os tchecos? Que alquimia estudaram? Aqui encontraríamos coisas que beiravam o fantástico.
Foi em Praga que o famoso rabino cabalista do século XVI, Yehuda Low, criou, segundo se afirma, o "golem" _ uma figurinha de barros ou de madeira com as formas de um ser humano, a que ele teria dado vida. O golem levava e trazia recados e executava tarefas. Como fora dotada de vida a figurinha que tanto lembrava uma estátua? Dizia o Rabono Low que a energia podia ser infundida na matéria pela ajuda de uma combinação de letras que formam a palavra Shem foi escrito e enfiado no golem, trazendo-o à vida e à ação. (Aplicando as idéias do físico norte-americano Charles A. Museus, isso talvez signifique que as freqüências de vibrações que compreendem certos sons _ e até palavras faladas _ poderiam ser infundidas em madeira ou barro, dando possivelmente ao material propriedades magnéticas ou eletrostáticas capazes e agir sobre outras substâncias.) Reza a lenda que o Rabino Low usava o seu golem como criado durante os dias da semana e dele extraía o Shem no Sábado para que pudesse descansar. Certa vez, o rabino se esqueceu e o golem saiu correndo para as ruas feito louco, aterrorizando as pessoas. Low capturou-o e lhe extraiu o Shem defronte da sinagoga. O golem caiu, fito em pedaços. Dizem que os seus restos continuam entre os entulhos no sótão da sinagoga. O Rabino Low tem também a seu crédito, a realização de maravilhas alquímicas diante do alquimista Imperador Rodolfo II. A lenda do golem penetrou fundo na cultura tcheca, inspirando muitos escritores modrnos, como Karel Capek.l RU.R.., uma das suas peças internacionalmente famosas, dizia respeito a robôs quase humanos que se revoltaram contra o homem. Encontramos hoje na Tchcoslováquia cientistas que mergulharam em textos antigos e deles emergiram com um processo não muito diferente do que o fabuloso Rabino Low deve ter usado para impregnar de energia biológica a madeira ou o metal. Mas outra área importante da tradição alquímica era a necessidade de conhecer aspectos planetários preciosos antes de empreender um projeto científico. A alquimia exigia conhecimentos astrológicos. E hoje na Tchecoslováquia há um Centro de Astrologia Científica financiado pelo governo comunista. Aqui se emprega a ciência cosmobiologia ou da astrologia na medicina e na psiquiatra. A astrologia é a resposta tcheca à proibição do controle da natalidade imposta pelo Papa. "A astrologia", diziam os tchecos, "pode ser usada na prevenção da gravidez. Pode ser até usada pelos pais para escolher o sexo do filho." Dadas as tradições psíquicas da Tchecoslováquia, seguia-se naturalmente que o povo do país se interessasse vivamente por questões que hoje fazem parte da parapsicologia científica. O Dr. Karel Kuchynka, que hoje tem setenta e oito anos e é um dos pioneiros da parapsicologia tcheca, explicou: _ Nem a ciência oficial nem as religiões oficiais poderiam dar as respostas finais aos segredos da vida ou do universo. Em nosso país se encontram representantes de todos os matizes e seitas religiosas: há antroposofistas, teosofistas, espiritualistas, adeptos da magia antiga, adeptos da ciências do antigo Egito, alquimistas (e até o grupo mais velho e numeroso dos seguidores do Maharishi... muito antes que os Beatles ouvissem falar nele!). Creio que essa tendência quase geral é uma decorrência da estrutura subconsciente da alma tcheca, que deu origem aos grandes movimentos e reformas religiosas, especialmente as da Boêmia na Idade Média. (Aqui o Dr. Kuchynka se referia ao movimento fundado pelo reformador religiosos tcheco João Huss, um século antes de Luter).
"O caráter crítico e meditativo do nosso povo aumenta esse interesse pelos fenômenos paranormais. Dessa maneira, o solo da Tchecoslováquia é mais favorável ao psi que o de qualquer outro lugar."
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